A biografia paulista contada pelo cartório do Ipiranga


Em um dos mais tradicionais bairros de São Paulo, a um quarteirão de distância do Museu do Ipiranga e do Parque da Independência, está localizada outra peça de representação histórica da cidade: o charmoso cartório do Ipiranga. Tanto pela decoração, quanto pelo suntuoso prédio ou, ainda, pela própria história contada nos registros que possui, o cartório do 18º Subdistrito ganhou a imagem do bairro que o acolheu.

Localizado na Rua Bom Pastor, instalado desde 1919, em um enorme sobrado dividido em três seções, o cartório do Ipiranga guarda a certidão do primeiro casamento, do então metalúrgico, que assumiria a presidência do Brasil, em 2003. Luiz Inácio da Silva (ainda sem o apelido "Lula" registrado em seu nome). "Passei a receber visitas de muitas equipes de reportagem aqui no cartório quando Lula se tornou presidente do país. Gente interessada em contar a sua história. Mas, ao mesmo tempo, recebo todo ano muitas pessoas que procuram saber a história da família, a fim de descobrir seu próprio passado", conta o Oficial Rinaldo Zampiéri, que desde 1983 administra a serventia.

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Zampiéri, de 72 anos, começou a trabalhar na área literalmente por amor. Ele, que já havia trabalhado como locutor de programas de rádio, em redes como a Piratininga e a Tupi, nasceu em Tabapuã, cidade do interior, próxima à Catanduva. Foi, entretanto, a mudança para a cidade de Olímpia que mudou o rumo da sua vida: ao casar-se com sua atual esposa e oficiala substituta do Ipiranga, Luiza Saldanha Diniz Zampiéri, passou a trabalhar para o sogro como auxiliar. Com a aposentadoria do Oficial, Rinaldo, que na época já era escrevente, ficou responsável pelo cartório do Ipiranga.

A preocupação pelo bem estar dos clientes e pela organização dos documentos, deixa claro o quanto Rinaldo se apegou a esta nova responsabilidade. "Sempre fui uma pessoa curiosa e me esforcei muito para conquistar meus objetivos", declara. Descendo pela Rua Bom Pastor, a primeira seção do cartório é dedicada apenas à autenticação de documentos. A segunda é uma sala destinada à abertura de firmas, seguida por um enorme corredor onde são feitas as certidões. No final do corredor está localizado o setor de procurações e uma outra sala onde são realizados os casamentos.

Por fim, na última seção, responsável pelo maior movimento da serventia são feitos os reconhecimentos de firmas e autenticações, onde também é exibido na parede o quadro da única santa brasileira, Amábile Wisenteiner, a Irmã Paulina da Conceição do Apostolado de Jesus, ao lado de seu atestado de óbito feito no cartório. No segundo andar são guardados os arquivos, todos restaurados, encadernados, e arquivados em caixas de madeira, cobertos, ainda, por uma cortina, tal a preocupação com sua conservação. O cartório do Ipiranga, não obstante, deixou-se prender ao passado só por que está localizado onde a História é o foco principal do bairro.

Informatizado já há 12 anos, Rinaldo revela que está mudando o servidor para aderir, também, ao sistema de biometria. "Tudo que tiver de melhor para o cartório, de mais moderno, eu vou colocar", diz. Segundo Zampiéri, os funcionários de sua serventia garantem o sucesso de tantos anos de dedicação ao registro civil. "Tenho um quadro de funcionários muito bom, sem eles não sou nada", diz orgulhoso. Com essa equipe de funcionários, 26 além dos quatro seguranças, o cartório do Ipiranga é visto com tanto carinho por parte dos moradores do bairro que possui em suas paredes cerca 100 quadros com fotografias antigas (desde 1920 até as décadas de 50 e 60) da cidade de São Paulo, doadas, em sua totalidade, pelos próprios moradores. "Os quadros que tenho aqui são de pessoas que às vezes vêm ao cartório apenas para visitá-lo ou de velhos conhecidos meus que passam para me cumprimentar e me entregar um de presente", relata com carinho o oficial.

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Fonte: www.independenciaoumorte.com.br

 

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